segunda-feira, 1 de junho de 2009

O pequeno Hiroshi, 8 anos, mora em Tóquio, capital de um país onde as crianças costumam se virar sozinhas em casa, sem os pais. Eram quase 18h30. Ele já tinha feito suas tarefas escolares e não via a hora de assistir ao seu desenho preferido. Preparou um sanduíche e sentou bem pertinho da TV, para não perder nenhum lance. Vinte minutos após o final do Shaw, o garoto era levado numa ambulância sofrendo convulsões ...
O que parece ser uma cena de filme de terror ou ficção científica foi realidade para muitas crianças na noite de 16 de Dezembro de 1997, na capital japonesa. Cerca de 700 pessoas da cidade, a maioria crianças e adolescentes, foram internadas após a transmissão do desenho animado, com sintomas de Epilepsia Fotossensível: ataques convulsivos, vómitos, hemorragias, olhos injectados, vertigens e desmaios.
Um grupo de pediatras e psiquiatras diagnosticou a causa: o desenho animado Pokémon, inspirado no videogame da Nintendo, Pocket Monsters.
Impressionado com o fenómeno, um pesquisador brasileiro resolveu se debruçar sobre o assunto reunindo o maior número de informações. Quando a TV Record anunciou a compra de um pacote de 43 episódios da série para exibição no Brasil, saiu uma matéria na mídia, onde o doutor em comunicação pela USP, Flávio Calazans falava dos efeitos do desenho nas crianças japonesas. A notícia acabou gerando o adiamento da estréia nas telas do país. Hoje, todos os dias qualquer pessoa pode assisti-lo no programa infantil Eliana e Alegria, que atinge picos de audiência.
O que de fato aconteceu? .
Batizado pela mídia de "Pânico Pokémon", o fenômeno ganhou destaque em jornais e emissoras de TV do mundo inteiro. Tudo aconteceu num piscar de olhos... ou melhor, de bochechas. Na cena fatídica, as faces rechonchudas do personagem principal, um pequeno roedor amarelo chamado Pikachu, piscaram durante cerca de cinco segundos em luzes de diferentes cores. O tempo foi mais do que suficiente para vinte minutos depois, começar o corre-corre frenético das ambulâncias por todas as ruas da cidade.
Na pesquisa "Midiologia Subliminar: Efeitos Neurofisiológicos do Desenho Animado Pokémon", Flávio Calazans cita o médico psiquiatra especializado em epilepsia Yukio Fukuyama, que batizou a nova doença: Epilepsia Televisiva. Uma derivação da Epilepsia Fotossensível em escala epidêmica, disseminada pela TV. "Nunca houve registro documentado de tal tipologia de efeito colateral relacionado à mídia eletrônica", afirma Calazans.
A produção do Pokémon teria usado uma técnica hipnótica para aumentar a identificação do telespectador. Conhecida como Paka-Paka (pisca-pisca), a técnica emprega um jogo de luzes coloridas que piscam em velocidade taquiscocópica subliminar (tão rápida, que é percebida apenas a nível do subconsciente humano).
A lógica é simples: quanto mais veloz, maior a emoção, a identificação. Na cena em questão, as bochechas do Pikachu piscaram mais de 10 vezes num só segundo, nas cores vermelho, branco e azul, provocando um verdadeiro curto-circuito epilético no sistema neurológico, chegando a alterar a química do sangue. Em estudo publicado este ano nos Anais de Neurologia, o dr. Shozo Tobimatsu, do Departamento de Neurologia clínica da Universidade de Kyushu, em Fukuoka, Japão, confirmou a hipótese levantada por Calazans dois anos antes: os ataques foram provocados em crianças que nunca tinham tido ataques epilépticos pela alta freqüência do sinal associada à seqüência de cores utilizada (vermelho-branco-azul).

Um comentário:

  1. isso é pra voces verem como a ciencia está avançada hoje em dia,lá no japão as crianças iam direto para o hospital por causa do desenho pokemon,hoje já nâo tem esse problema,todas as pessoas hoje podem ver pokemon sem nenhum problema.
    VALEU!!!

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